Pelé e Pernambuco, entrelaçados pela história

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O futebol existe há mais de 150 anos. Mas há exatos 80 ele ganhou uma dimensão diferente. Faltava um rei. E em 23 de outubro de 1940 nasceu o dono da coroa. Edson Arantes do Nascimento, vindo de Três Corações, Minas Gerais. Mas a cidade de pouco mais de 80 mil habitantes ficou pequena. Edson ganhou o Brasil. O mundo. Virou Pelé. O atleta do século, maior nome do esporte. Autor de mais de mil gols e tricampeão mundial com a Seleção Brasileira. Pelé tem histórias em todo o planeta, mas aqui vamos separar algumas curiosidades do camisa 10 em Pernambuco.

A primeira é fora dos gramados. Em 1994, o Rei casou-se pela segunda vez. A cerimônia foi no Estado, com a então esposa Assíria Nascimento – o matrimônio durou até 2008. Mas esse foi apenas o capítulo mais recente do ex-jogador em Pernambuco. Uma relação que começou ainda na adolescência.

Pelé no Sport? Por pouco, essa pergunta não foi uma afirmação. Em 1956, ainda com 16 anos, o jogador foi oferecido ao Leão. “José Rozenblit era o diretor do clube na época. O Santos mandou um telegrama oferecendo o jogador, mas o Sport não quis porque ele ainda era muito novo e desconhecido”, contou o jornalista Lenivaldo Aragão. Um ano depois, o Rei esteve na Ilha. Já era titular do Peixe antes de completar 17 anos. Marcou um dos gols do time paulista na vitória por 2×1.

Ao todo, Pelé jogou 21 vezes contra clubes pernambucanos. Foram 11 vitórias, seis empates e quatro derrotas, com 13 gols marcados. Um deles foi feito na derrota do Santos por 3×2 para o Santa Cruz, em 1973. Dia em que, acredite, ele foi coadjuvante de um centroavante do Tricolor.

“Nesse jogo, nós vencemos por 3×2, no Arruda, e eu marquei duas vezes. No final, Pelé chamou Gena, por já conhecê-lo da época do Náutico. Ele disse: ‘esse centroavante é bom assim mesmo ou foi somente hoje?’. Aí, depois, ele pediu aos dirigentes do Santos para me contratarem. Era uma grande chance, mas não houve acordo com o Gastão de Almeida (então presidente do Santa Cruz)”, contou o ex-atacante Ramon, ídolo coral. Mesmo sem vencer, o camisa 10 do Peixe chamou atenção por outro detalhe. “Para alguém com a importância dele, Pelé era muito humilde. Tirava foto e falava com todos. Nem parecia que estávamos diante do maior jogador do mundo”, frisou o radialista Hélio Macedo, que o entrevistou na ocasião. “Fiquei me beliscando para saber se eu realmente estava ali ao lado dele”, brincou.

Por falar em Arruda, Pelé foi uma espécie de “relações públicas” do então governador de Pernambuco, Eraldo Gueiros, do financiamento de 850 mil dólares junto ao Estado para a conclusão das obras do José do Rego Maciel. De quebra, o Rei recebeu o título de sócio benemérito do Santa.

Dos embates contra o Trio de Ferro da Capital, Pelé deixou claro qual time mais chamou atenção. “Ele me falou que o Náutico foi um dos melhores times que enfrentou, junto com o Palmeiras”, lembrou Lenivaldo. Reconhecimento após a derrota por 5×3 diante do Timbu, em 1966, no Pacaembu, com quatro gols de Bita, o Homem do Rifle, maior artilheiro da história do Alvirrubro, com 223 gols.

Todos já conhecem a história do milésimo gol de Pelé, na vitória do Santos por 2×1 diante do Vasco, no Maracanã. Mas há quem aponte que o marco histórico na carreira do camisa 10 aconteceu em Pernambuco. Uma semana antes, a Gazeta Esportiva publicou: “Recife aplaude o 1.000 de Pelé”. Feito contra o Santa Cruz, na Ilha do Retiro, na goleada por 4×0. A contagem do jornal atribuiu três tentos a mais do que o Rei considerava. Vale dizer que os paraibanos também alegam que o milésimo tento não foi no Rio de Janeiro, mas sim no Almeidão, em um amistoso contra o Botafogo/PB, cinco dias antes do período oficial. Pelé balançou as redes no dia, o que, na versão oficial, seria o 999º. Para que o tento mil não saísse antes do duelo no Maracanã, o camisa 10 foi improvisado como goleiro.

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